quinta-feira, 8 de agosto de 2013


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez
mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem
mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de
dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma
nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.  É possível detectá-la nas pessoas que elogiam
mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E  quando  falam,  passam longe  da  fofoca,  das  pequenas maldades  ampliadas
no dia a dia. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz
ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer
em humilhar os outros.
É  possível  detectá-la  em  pessoas  pontuais.  Elegante  é  quem  demonstra
interesse  por  assuntos  que  desconhece,  é  quem  presenteia  fora  das  datas  festivas,  é
quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária
que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se atende.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar
nele de uma forma não arrogante.
Pode-se  tentar  capturar  esta  delicadeza  natural  através  da  observação,  mas
tentar imitá-la é improdutivo.
A  saída  é  desenvolver  em  si  mesmo  a  arte  de  conviver,  que  independe  de
status  social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com
amigo não tem que ter estas frescuras”.
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão
desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.
É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...