sexta-feira, 22 de maio de 2015

UMA LENDA URBANA - Acordar no Necrotério

Acordar no necrotério

O maior medo das pessoas que entram em um hospital é não sair, e isso é totalmente justificável. Aposto que você já ouviu histórias de pessoas que foram levadas para tratar uma coisinha simples e acordaram vivinhas da silva, porém nuas na gaveta gelada de um necrotério, em um lugar apertado, escuro, silencioso e cercado de vizinhos silenciosos. Ou dependendo da narrativa, em um saco para cadáveres.
A realidade: Apesar de estarmos no século 21 e a medicina estar mais avançada do que nunca, é o tipo de incidente que ainda acontece aqui e ali. Na comunidade médica há uma discussão sobre o que realmente constitui a morte, e ela e vista cada vez menos como um evento e mais como um processo, mas é claro que se você acordar numa gaveta gelada não vai querer saber dessas tecnicidades e só vai querer ser tirado dali.
Em 2011, Maria de Jesus Arroyo, 80 anos, foi declarada morta logo após dar entrada em um hospital de Los Angeles com parada cardíaca. Ela foi colocada em uma bolsa para transportar corpos e deixada no necrotério, e tudo estava normal até os funcionários de uma funerária irem buscar o corpo e encontrarem a D. Maria caída de rosto para baixo no assoalho da câmara de resfriamento. O saco estava parcialmente aberto, ela estava cobertas em cortes e machucados e seu nariz estava quebrado. A família achou que o corpo tinha sido derrubado por alguma enfermeira inexperiente, mas a verdade era um pouco mais macabra: quando foi declarada morta, ela estava meramente inconsciente e acordou dentro do freezer. E entrou em pânico. Os ferimentos foram auto infligidos enquanto ela tentava escapar de seu destino, apenas para acabar morrendo, mas dessa vez congelada.

Janina Kolkiewcz, de 91, também passou por uma experiência semelhante na Polônia. Declarada morta pelo médico da família, ela foi para o necrotério e os preparativos para o sepultamento iniciados. Isso até os funcionários do necrotério ligarem para avisar que ela estava bem viva – Janina passou inacreditáveis onze horas na geladeira até perceberem que o saco dela estava se mexendo. Ela voltou para casa, tomou uma sopa quentinha e por ter demência não faz ideia de que se tornou forte candidata a ser aceita nos X-men.

Em 2014, Paul Montora, de 24 anos, teria morrido após ingestão de inseticida. Ele acordou 15 horas depois no necrotério e o susto da equipe foi tão grande que eles saíram correndo e gritando. Em março do mesmo ano, Walter Williams, de 78, foi encontrado vivo e literalmente chutando dentro de seu saco para corpos – para sua sorte, ele acordou justamente antes de ter seu corpo embalsamado. Ainda tem o caso do homem venezuelano que acordou no necrotério em 2007, mais precisamente durante sua autópsia. Segundo ele, a dor era insuportável demais para ele continuar inconsciente.

O difícil é decidir quem leva o maior susto nesses casos: a pessoa que acorda no necrotério ou o funcionário que trabalha no mais profundo silêncio e certamente não esperava ouvir batidas naquela porta ali.

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