quarta-feira, 27 de abril de 2016

NÃO ACREDITO?!! DEZ FATOS QUE EU NÃO SABIA SOBRE TERRORISMO.

Desde 11 de setembro com os ataques às Torres Gêmeas, até os recentes ataques em Paris, nenhum bicho-papão pareceu tão grande na psique ocidental quanto o espectro do terrorismo.
De acordo com a Gallup, uma empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos, mais de metade dos americanos se preocupam “muito” com um ataque terrorista, e quase um terço acredita que o governo é incapaz de protegê-los de um.
No entanto, a imagem mental que o Ocidente tem do terrorismo e do extremismo pode não ser completamente precisa. A realidade é que muitas pessoas acreditam em equívocos grotescos.

10. Alguns dos maiores grupos terroristas do mundo não estão conectados ao Islã
Na história do terrorismo, provavelmente nenhum grupo foi tão grande ou bem financiado quanto o ISIS, o grupo terrorista mais rico do mundo. Hezbollah, outro grupo de extremistas islâmicos, é o segundo mais rico. Mas nem todo extremista está ligado ao Islã. Alguns não são influenciados pela religião de forma alguma.
Por exemplo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Eles são uma organização que se autoproclama uma guerrilha revolucionária marxista-leninista, que opera mediante táticas radicais. Por isso, foi oficialmente designada uma organização terrorista pelos EUA. O grupo se considera ateu. Em novembro de 2014, a revista Forbes de Israel estimou que era o terceiro coligação terrorista mais rica do mundo, controlando quase 30% da Colômbia e capaz de recrutar milhares de pessoas. A FARC é uma organização maior do que qualquer Al-Qaeda ou Boko Haram, e sequer está em seu pico. No início de 2000, era quase três vezes maior do que é agora e estima-se que tenha sequestrado cerca de 3.000 pessoas por ano.
Para não mencionar Joseph Kony, estrela do documentário “Kony 2012” feito pela organização sem fins lucrativos Invisible Children, Inc. Seu “Exército de Resistência do Senhor” ainda está forte na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo e no sul do Sudão. Colocado em uma lista americana de terroristas a serem combatidos em 2001, o grupo rebelde já matou mais de 100.000 pessoas desde 1987, tornando-se mais mortal do que Boko Haram.
Ainda, no Japão, o grupo sucessor do culto assustador Aum Shinrikyo, que matou 12 pessoas e feriu 5.500 em 1995 um ataque com gás no metrô de Tóquio, ainda tem uma participação ativa de cerca de 1.300 membros e recruta mais gente a cada ano.
Enquanto o Islã muitas vezes parece ser sinônimo de “terror”, a verdade é que alguns dos maiores grupos radicais e/ou violentos do mundo não dão a mínima para Alá.

9. A maioria das vítimas do terrorismo não vive no Ocidente
Quando vemos eventos como o de Paris sendo cobertos extensivamente pela mídia, pode parecer que o Ocidente é a maior vítima do terrorismo, que estamos sob cerco. É fácil supor que o alvo dos extremistas é “o mundo livre e democrático”. A verdade, no entanto, é que o Ocidente sofre poucos ataques em relação a determinadas áreas no resto do mundo.
Entre 2004 e 2013, os EUA foram atacados 131 vezes, com 20 ataques resultando em mortes. A França foi atacada 47 vezes. Em comparação, o Iraque sofreu 12.000 ataques terroristas, 8.000 dos quais foram mortais (a foto acima é de uma bomba lançada em Bagdá). No período de tempo estudado, cerca de metade de todos os ataques terroristas e 60% das mortes desses ataques ocorreram em apenas três países: Iraque, Paquistão e Afeganistão. Em seguida vem Índia, Nigéria, Somália, Iêmen, Síria, Sri Lanka e Tailândia. Esses dados vieram de uma Base de Dados Global sobre o Terrorismo (GTD), estatísticas que são compiladas por pesquisadores da Universidade de Maryland, nos EUA.
Não estamos querendo minimizar a tragédia de quaisquer ataques que atingiram o Ocidente. Não precisamos nem dizer que os inocentes mortos e os milhares afetados não mereciam tal fim. Mas a dimensão deve ser guardada: a grande maioria das vítimas de terrorismo estão vivendo no Oriente Médio ou na Ásia, não nos EUA ou na Europa.

8. O terrorismo na Europa está muito relacionado ao separatismo
Os ataques de 13 de novembro em Paris parecem sugerir que o inimigo da Europa, no que diz respeito ao terrorismo, está claro: é o ISIS e outros grupos islâmicos. Mas não é tão simples assim. Na verdade, a maioria dos ataques terroristas na Europa são geralmente vinculados ao nacionalismo.
Em 2014, mais da metade de todos os ataques terroristas europeus estavam relacionados não com a religião ou extremismo de direita, mas com o republicanismo irlandês. Dos 201 ataques em todo o continente relatados pela Europol naquele ano, 109 ocorreram na Irlanda do Norte.
Movimentos nacionalistas ou separatistas também foram motivadores primários para o terrorismo em outros lugares. A FLNC da França, grupo que quer que a ilha da Córsega se torne um Estado independente, lançou vários ataques com foguetes contra delegacias de polícia francesas em 2013. Em 2015, cinco policiais macedônios foram mortos em confrontos com terroristas albaneses nacionalistas. Na Grécia, marxistas assassinaram dois adversários políticos em 2013, enquanto anarquistas italianos enviaram várias cartas-bomba pelo país.
Houveram até ataques violentos bizarros relacionados com questões específicas. Por exemplo, na França, um grupo de viticultores radicais bombardearam um escritório local do Partido Socialista por conta de queixas relacionadas à produção de vinho.

7. Terroristas americanos matam mais americanos do que jihadistas
Graças a 11/09, o jihadismo foi tachado o maior assassino em massa de americanos na história do terrorismo. Nos 14 anos desde então, extremistas islâmicos reivindicaram mais 26 vidas, sendo o ataque mais dramático o feito durante a Maratona de Boston. Porém, o jihadismo não é a fonte mais mortal do extremismo na América do Norte moderna.
Durante o mesmo período, terroristas nativos – crescidos nos EUA – mataram duas vezes mais americanos que o jihadismo. Depois do ataque de 11/09, 48 cidadãos norte-americanos perderam suas vidas para o extremismo de direita. Em 2012, por exemplo, o neonazista Wade Michael Page atacou um templo sikh, matando seis e ferindo gravemente outros três. Em junho de 2015, Dylann Roof (foto acima) matou nove pessoas quando abriu fogo em uma igreja em Charleston. Membros de um movimento anti-impostos chamado Sovereign Citizens Movement já mataram tantos policiais que o FBI os considera uma significativa ameaça terrorista.
Em 2010, Andrew Joseph Stack lançou um ataque suicida a um prédio governamental americano, matando mais uma pessoa e ferindo 13 outras. Como resultado direto de ações como estas, muitos departamentos de polícia americanos agora consideram o “terrorismo de direita” uma grande intimidação. Uma pesquisa com 382 policiais em 2015 descobriu que 74% listavam a violência contra o governo como a maior ameaça em sua jurisdição, em comparação com 39% citando a violência inspirada pela Al-Qaeda.

6. Terroristas de esquerda cometeram mais ataques não letais do que os outros
Terrorismo não significa tirar vidas. Significa “modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror”, ou ainda “emprego sistemático da violência para fins políticos”.
Disso, terroristas de esquerda entendem. Hoje em dia, eles não matam gente nos EUA (o que fizeram no passado, na década de 70, por exemplo). Mas não significa que não estejam ativos. Na primeira década do século 21, o grupo que realizou a maioria dos ataques em solo americano não foi a Al-Qaeda ou algum movimento de extrema-direita. Foi a organização ecoterrorista Frente de Libertação da Terra (ELF, na sigla original).
Entre 2001 e 2011, o grupo foi responsável por 50 ataques – mais do que todos os outros grupos terroristas combinados. Os ataques geralmente envolveram bombas que começaram incêndios descontrolados, causando milhões de dólares em danos. Mas eles não tiraram nenhuma vida, porque o grupo deliberadamente evita fatalidades.
No entanto, o grande número de suas ações fez com que fossem adicionados à lista de observação ao terrorismo do FBI. O único outro grupo a lançar um número próximo de ataques que o ELF nos EUA foi o Animal Liberation Front, grupo relacionado a favor dos animais com um histórico semelhante de incêndios não fatais.

5. Nos EUA, o terrorismo raramente é realizado por grupos organizados
Al-Qaeda, ISIS e FARC são nomes que inspiram calafrios, mas atos de terrorismo nos EUA raramente são realizados por organizações. De acordo com dados do Southern Poverty Law Center (SPLC), quase todos os incidentes de terror doméstico são o trabalho de pessoas solitárias e perturbadas. Um estudo de 60 ataques separados descobriu que quase 75% foram executados por uma única pessoa sem cúmplices conhecidos. Quando eles ampliaram a definição para incluir duas pessoas sem ajuda externa, isso cobriu 90% de todos os incidentes.
Este modelo de “resistência sem liderança” foi inventada no final de 1980 e início de 1990 para garantir que o governo não acompanhasse ataques de bombas. Por exemplo, em Oklahoma City, Timothy McVeigh (foto acima) matou 168 pessoas com apenas um cúmplice. Depois disso, ações semelhantes (pensadas por uma única mente) dispararam. Entre 1995 e 2011, foram responsáveis por um terço de todos os ataques em solo americano.

4. A frequência dos ataques nos Estados Unidos está em declínio
Em termos de número de ataques, o ponto alto para o terrorismo em solo americano foi 1970, com mais de 450 incidentes registrados. Foi o ano em que o grupo Weather Underground (foto acima) estava em seu auge, o separatismo porto-riquenho estava em pleno andamento e a Liga de Defesa Judaica bombardeava escritórios. Nenhum outro ano teve tantos ataques nos EUA.
O terrorismo, em geral, tem estado em grande declínio em solo americano, mesmo quando sentimos que estamos ouvindo mais sobre os ataques.
Por causa do 11/09, o número total de pessoas mortas por ano ficou em seu ponto mais alto no final de 1990 e início de 2000. Mas o legado destruidor desse evento simplesmente não tem muito a ver com o histórico de ataques terroristas.
A década de 1970 viu pelo menos 50 por ano. Na década de 1990, o número de incidentes apenas ocasionalmente atingiu o pico acima desse número. No presente, ataques terroristas anuais estão mais próximos a zero do que 50. Em suma, para americanos, isso é quase coisa do passado.

3. Estudos mostram que terrorismo não funciona
Lembra quando eu disse que o terrorismo era um “modo de impor a vontade”? É. Exceto que não funciona.
Estudos têm mostrado que, em vez de dar aos terroristas o que eles querem, mesmo de forma diluída, ataques indiscriminados contra civis geralmente não fazem nada a não ser minar a causa dos responsáveis.
Em um estudo de 2009 da Universidade George Mason, uma análise de 457 campanhas terroristas desde 1968 constatou que nenhum grupo extremista conseguiu conquistar um estado e 94% destes grupos não conseguiram alcançar nem mesmo um de seus objetivos declarados.
Obviamente, o estudo é um pouco antigo. Já se passaram mais seis anos, e podemos razoavelmente sugerir que ISIS tem contrariado essa tendência e conseguido esculpir um estado bárbaro semifuncional no Oriente Médio.
Mas o argumento ainda é válido. Apesar de décadas de luta, a Irlanda do Norte ainda é parte da Grã-Bretanha. Para todas as suas explosões e tiroteios, grupos de direita não conseguiram desencadear uma revolução ou derrubar o governo dos Estados Unidos. Mesmo a FARC, que sem dúvida chegou perto de derrubar o governo colombiano no final de 1990, agora está pensando em se desarmar.
Ao invés de ser um meio para um fim, o terrorismo geralmente não traz seus praticantes nem um pouco mais perto de suas metas.

2. Espalhar uma religião ou ideologia é apenas uma parte do terrorismo
Ao tentar entender por que terroristas matam pessoas inocentes, existem duas escolas básicas de pensamento: uma que diz que os terroristas são simplesmente pessoas más que gostam de ferir pessoas (o que é idiota, para não dizer outra coisa), e a outra é que os terroristas estão tentando espalhar uma ideologia ou religião por meios violentos.
Enquanto esta segunda hipótese é mais provável, estudos mostram que não é tão simples assim. A maioria dos terroristas são motivados por razões mais complexas. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio (EUA) com 52 extremistas islâmicos descobriu que o motivo esmagador dos seus ataques foi um desejo de vingança. Ao invés de ter metas religiosas, a maioria dos terroristas queriam punir os EUA por apoiar Israel ou simplesmente tinham raiva do país por conta das guerras no Afeganistão (foto) ou Iraque.
É fácil para nós, que estamos longe do Oriente Médio e seus conflitos, nos esquecer da história da região, que foi repetidamente invadida, colonizada e dividida contra sua própria vontade por forças ocidentais – existem motivos de sobra para que a Europa e os EUA sejam considerados inimigos dos que se sentem destruídos ou enganados por seus governos.
Outro estudo da Universidade de Michigan, nos EUA, foi ainda mais longe. Alegou que a maioria dos terroristas, que são tipicamente homens jovens, se juntam a grupos radicais porque estão à procura de aventura, camaradagem, status e mulheres.
Não queremos minimizar a gravidade do terrorismo, apenas destacar a importância de compreender os objetivos declarados de um grupo. A nossa compreensão dos objetivos do terrorismo deveriam levar em conta a História e as motivações individuais dentro das organizações.

1. 11/09 poderia não ser o pior ataque da história
Os ataques de 11/09 são inigualáveis na história moderna em termos de perda de vidas, danos corporais sofridos e danos econômicos. Cerca de 3.000 pessoas morreram, e os que estavam próximos ao bombardeamento ainda podem estar morrendo de cânceres relacionados hoje.
No entanto, outros ataques planejados provavelmente teriam sido piores se tivessem sido bem sucedidos. Em solo americano, pelo menos um ataque chegou perto do impacto de 11/09. Em 22 de abril de 1997, quatro membros da KKK foram presos por conspirar para explodir uma refinaria de gás perto de Fort Worth, Texas. Autoridades mais tarde estimaram que o ataque teria matado até 30.000 pessoas, quase 10 vezes mais gente que 11/09. O horror só foi interrompido porque o líder do grupo se arrependeu e foi ao FBI.
O Japão também teve sorte. Em 1993, o culto Aum Shinrikyo lançou uma nuvem de antraz por Tóquio, colocando em risco cerca de 7.000 moradores. Foi por um golpe de sorte que o grupo acidentalmente adquiriu e lançou uma estirpe que era inofensiva para humanos. Apenas dois anos mais tarde, a mesma organização tentou detonar duas vezes bombas de cianureto no metrô de Tóquio. Autoridades afirmaram que uma única explosão bem sucedida poderia ter matado 10.000 pessoas.
Tão ruim quanto a história do terrorismo pareça, é arrepiante pensar que poderia ser ainda pior.