sábado, 13 de fevereiro de 2016

PAPEL DO TREINADOR NO FUTEBOL MODERNO

Texto originalmente publicado a 31 de Maio de 2014, no site Futebol 365

Este texto resultou da colaboração semanal existente entre o Futebol 365 e este blogue . O objetivo desta parceria passa por pensar o futebol por um prisma pouco comum, ou seja, o da comunicação.
Esta época que acaba trouxe-nos uma grande confirmação no que toca à gestão de uma equipa. Já não restam dúvidas, Diego Simeone é mesmo um treinador de classe mundial. Nas duas últimas épocas, o que o argentino fez com o Atlético de Madrid foi simplesmente fenomenal e demonstrou uma extrema competência. Mais do que nunca, numa equipa de futebol, o treinador tem um papel importantíssimo.
Escolha da equipa, motivação do grupo, trabalho do espírito coletivo, agilidade estratégica… Estas são só algumas das tarefas de um treinador de futebol no futebol moderno. Para além disso, tem de ser ainda um pouco psicólogo e um excelente comunicador. De José Mourinho a Pep Guardiola, passando por Jurgen Klopp, são muitos os exemplos de líderes que conseguem, com frequência, juntar todas estas vertentes.
Ser treinador, nos dias de hoje, é ser antes de mais um líder fora do comum, um homem que faça com que os jogadores se ultrapassem todos os dias. Uma tarefa nada fácil, principalmente numa época em que os empresários abundam e muitas vezes vendem ilusões aos seus clientes.
Um dos grandes trabalhos da temporada é o de Diego Simeone, no Atlético de Madrid. Campeão Nacional em Espanha contra todas as previsões e finalista vencido da Liga dos Campeões, frente ao Real Madrid, Simeone e os seus jogadores deram algumas lições de liderança e de como se deve construir uma equipa de futebol.
São vários os conselhos que se podem dar na hora de formar uma equipa, mas apontarei aqui somente cinco que podem ajudar a construir uma ‘dream team’, um grupo de homens que lute até à exaustão pela vitória. Sempre.

 
Guardiola e Klopp: dois treinadores de top
(fonte da imagem: http://www.todayonline.com)

1. Escolher jogadores que se complementam: Nem sempre é fácil conseguir formar uma equipa. Lidar com 25, 26 egos diferentes é uma tarefa gigantesca. Cabe ao treinador definir objetivos de grupo e fazer com que todos remem para o mesmo lado. Para isso, o ideal é ter equipas com perfis de jogadores diferentes, mas que se possam complementar durante as competições, formando assim um grupo coeso e unido;
2. Criar uma estratégia e valores comuns: A chave aqui é fazer com que estrelas da equipa, jogadores desmotivados, jogadores que jogam para conseguir uma boa transferência, etc, possam unir-se em torno de um único propósito, jogando todos uns pelos outros;
3. Ser disciplinador, mas nunca severo e injusto: Ao longo da época surgem vários pequenos conflitos no grupo. Cabe ao treinador ser intransigente, mas nunca injusto. Sempre que alguém se afastar dos objetivos definidos, deverá ser reenquadrado de forma categórica pelo treinador. Só assim este pode mostrar a sua autoridade;
4. Possuir um plano B: É sempre importante estar preparado para as situações inesperadas, ter um plano alternativo. Para isso é preciso estar atento ao que se passa e ouvir jogadores e colaboradores com frequência. A agilidade é aqui a palavra-chave;
5. Aproveitar as derrotas para motivar e reestruturar: Ao longo da época surgem momentos de tensão, quase todos se devem a resultados menos bons. Estes momentos devem ser aproveitados pelo treinador para motivar e reorganizar o que está a correr menos bem.